Bucólica São Miguel – Cap. 1 De Ponta Delgada ao Nordeste

Quero muito falar-vos sobre São Miguel, mas temo que a beleza da ilha me tenha roubado as palavras que seriam suficientemente capazes de a descrever com justeza. Nada em São Miguel, ou nos Açores de uma forma geral, parece ter sido feito ao acaso.

 

As imagens bucólicas da ilha, num perfeito tom de verde, fazem-nos sentir num paraíso para lá do mundo que conhecemos. Nada conseguirá fazer jus à beleza daquele local, nem as minhas palavras, por mais adjetivadas que sejam, nem as fotografias que colocar, por muito inspiradoras que possam vir a ser!

Por este motivo e por haver imensas coisas sobre as quais não posso deixar de vos falar acerca de São Miguel, dividirei este post em duas partes: a primeira sobre parte do sul da ilha, desde a cidade de Ponta Delgada até Nordeste, e uma segunda, dando a volta pelo norte em regresso ao sul, desde Nordeste até Ponta Delgada.

 

 

A minha ida a São Miguel, a maior das nove ilhas que compõem o arquipélago dos Açores, surgiu algo por acaso, como surgirá também a ida a Amesterdão um ano depois e da qual já vos falei anteriormente no blogue. De uma simples pesquisa e feliz coincidência em relação ao valor da viagem, a meter-me num avião e ir visitar um dos locais mais bonitos que vi até hoje foram apenas alguns meses de distância.

Para não variar consegui um voo relativamente em conta na easyJet e que reservei quase prontamente; o melhor nestas situações é não deixar fugir a oportunidade, se possível! Depois do voo reservado iniciei a procura do local para ficar durante sete dias em São Miguel.

Como o sistema de transportes públicos na ilha não é o ideal para turistas, procurei alojamento na capital, a cidade de Ponta Delgada, onde os acessos para chegar aos outros locais estariam, à partida, mais facilitados. Consegui reservar um alojamento local mesmo no centro da cidade, a poucos metros das Portas da Cidade, e que foi a minha primeira experiência com o sistema “sem check-in presencial” que já vos falei também nos post sobre a minha passagem pelo Porto e Douro. O alojamento em causa chama-se Casa da Matriz e funciona em regime de hostel, com cozinha e WC partilhado, embora contemple também quartos com WC privativo, regime pelo qual optei.

 

Logo na chegada ao aeroporto de Ponta Delgada percebe-se que estamos num lugar que funciona a um ritmo diferente daquele a que nos habituámos no continente. Não digo isto de forma pejorativa, de modo algum, mas antes com admiração pela falta de stress que conseguimos sentir logo à chegada. Melhor do que isto nas férias é impossível!

Do aeroporto para o alojamento é possível conseguir-se um serviço de transporte partilhado. Basicamente o sistema consiste num percurso de autocarro que efetua paragem junto a variadíssimos alojamentos da cidade de Ponta Delgada; apenas tive que facultar o nome do meu para poderem verificar se se encontrava na lista do percurso. Mais simples, impossível!

No primeiro dia em São Miguel, como cheguei num voo da manhã, pude aproveitar o resto do dia para, além de descansar, fazer um reconhecimento da cidade de Ponta Delgada. Perceber onde estavam os restaurantes, as lojas de queijos para trazer souveniers, os rent-a-car… sim, a melhor forma para conhecerem a ilha, sem preocupações nem limitações de tempo, será alugar um carro – eu escolhi um da Ilha Verde e correu bastante bem; se estiverem a viajar em grupo e dividirem os custos do aluguer e do combustível fica-vos bastante em conta – no meu caso consegui dar a volta à ilha durante 4 dias sem reabastecer!

 

Depois de se estar acomodado e familiarizado com a cidade, é partir à aventura e começar a explorar esta magnífica ilha! Só em Ponta Delgada há imensos locais para visitar, desde ermidas, jardins, museus, passando pelo mercado, coliseu… sendo que vou destacar alguns que não devem perder:

 

Jardim do Palácio de Sant’Ana

Este palácio, de meados do século XIX, acolhe desde 1978 a sede da Presidência do Governo da Região Autónoma dos Açores. As visitas são gratuitas e encontram-se limitadas ao jardim botânico.

 

Gruta do Carvão

A Gruta do Carvão, classificada como Monumento Natural Regional e cujo nome se deve ao facto do aspeto interior ser da cor do carvão, é uma gruta vulcânica com uma extensão de 1912 metros e de elevada importância no estudo de fenómenos geológicos e vulcanológicos.

 

Forte de S. Brás

O Forte de S. Brás, um exemplar da arquitetura militar, data o início da sua construção no século XVI e foi uma das mais importantes fortificações da cidade de Ponta Delgada na luta contra corsários e piratas. Hoje é possível encontrar lá o Museu Militar dos Açores, onde podem ser vistos imensos artefactos que contam a história militar da região.

 

Plantações de Ananases A. Arruda

Embora não fiquem exatamente no centro de Ponta Delgada, mas sim em Fajã de Baixo, as plantações de ananases Augusto Arruda merecem uma visita. Aqui podem perceber todo o processo de plantação e crescimento do ananás, um dos ex-líbris dos Açores, de forma completamente gratuita!

 

A cerca de 11 km de Ponta Delgada encontramos a cidade de Lagoa. É uma boa experiência se, tal como eu, fizerem o caminho a pé, pois podem aproveitar para conhecer alguns dos locais que ligam as duas cidades, sendo talvez o mais conhecido a Ponta de Rosto de Cão – onde, mesmo depois de ler a placa informativa, fiquei sem perceber as parecenças… mas julguem por vocês próprios na foto seguinte!

 

Chegada a Lagoa pude visitar, em horário de laboração e de forma totalmente gratuita, a fábrica Cerâmica Vieira – aproveitem para fazer umas compras na loja e trazer uns presentinhos para as avós – e ainda, por 1,50€, o OVGA – Observatório Vulcanológico e Geotérmico dos Açores, onde fiquei a perceber tudo sobre a formação e a atividade vulcânica das ilhas daquele arquipélago.

 

De Ponta Delgada a Lagoa e de Lagoa às Furnas, para onde segui e vi a minha primeira lagoa açoreana, não devem perder a oportunidade de subir até à ermida de Nossa Senhora de Monte Santo ou, ao passar por Vila Franca do Campo, subir até à ermida de Nossa Senhora da Paz (com uma escadaria de 100 degraus) e observar lá do alto o Ilhéu de Vila Franca – que já devem conhecer, quanto mais não seja, de um conhecido concurso de saltos para o mar patrocinado por uma bebida energética!

 

Os Açores são uma das regiões portuguesas mais religiosas e, por esse motivo, é bastante provável que se cruzem com diferentes festejos ao longo da vossa estadia na ilha. Durante a minha, realizada no mês de março e em período da Quaresma, cruzei-me com alguns Romeiros e pude testemunhar uma parte desta tradição micaelense.

 

No entanto, São Miguel tem ainda muito mais para ser visto. A restante ilha é, sem dúvida, de cortar a respiração com paisagens inacreditáveis e, por isso, continuemos esta viagem escrita até às Furnas.

 

Furnas

Seguindo caminho a partir de Vila Franca passamos pela Lagoa das Furnas. Aqui aconselho a que parem o carro na Mata Jardim José do Canto e passeiem pela marginal da lagoa, observando todo o misticismo do local – principalmente se houver nevoeiro! – que é ainda aumentado pelo singular aspeto da Capela de Nossa Senhora das Vitórias.

Um pouco mais à frente encontramos, então, as Fumarolas da Lagoa das Furnas, onde é cozinhado o famoso Cozido das Furnas – que não cheguei a provar, para grande pena minha. Aqui chega a ser impressionante a temperatura que sentimos sair do chão mesmo por baixo dos nossos pés, já para não falar do cheiro fétido do ar, mas sem dúvida que vale todo o esforço de passear com uma mão em frente ao nariz!

Continuando estrada fora acabamos a passar obrigatoriamente pelo centro da localidade das Furnas, onde é impossível ficar indiferente aos maravilhosos jardins e termas de águas quentes e férreas. No que aos complexos termais diz respeito, podem optar pela água castanha do Parque Terra Nostra, também envolvido por um magnífico jardim botânico, ou pelas águas mais claras da Poça da Dona Beija – estas as que experimentei e para onde voltaria de imediato, tal é a sensação de relaxamento que se sente quando mergulhada naquelas águas quentes! Conselho prático: levem o fato de banho mais velho e escuro que tiverem em casa, porque ele não irá voltar igual…!

 

Povoação

A estrada segue para norte ou nordeste da ilha. Para seguir, foi primeiro Nordeste que me cativou; mas, antes de lá chegar, há que passar por Povoação; esta freguesia destaca-se por ter sido a porta de entrada dos primeiros habitantes da ilha de São Miguel. Aqui é possível passear por um pequeníssimo Parque Zoológico, de entrada gratuita, ou visitar as suas igrejas, uma delas a primeira igreja paroquial da ilha.

 

Nordeste

Quando no Nordeste é impossível não parar e observar a vista nos inúmeros miradouros que se vão encontrando ao longo de todo o caminho. No entanto, não posso deixar de destacar a Ponta do Arnel e, em particular, o Farol do Arnel. Este farol, o primeiro dos Açores e cujo início de laboração data de 1876, situa-se a 66 metros de altitude, mas, ainda assim, muito abaixo do nível da estrada por onde passamos. Descer até ele de carro é só para corajosos e em dias sem piso molhado – o que, estando nos Açores, pode não se verificar uma tarefa assim tão fácil; já descer até ele a pé faz-se bastante bem, mas para subir de volta… espero que tenham uma boa preparação física – cá eu senti-me como se os meus pulmões tivessem ficado presos lá em baixo!

 

A viagem continua pelo norte da ilha, mas isso ficará para o percurso do próximo post. Até lá, boas viagens! 😃

 


Quanto?

Casa da Matriz (6 noites) 80€/pessoa

Transporte (Aeroporto de Ponta Delgada – Casa da Matriz) 3,50€

Aluguer de Carro (Ford Fiesta 1.5T – 4 dias) 51€/pessoa sem combustível

OVGA – Observatório Vulcanológico e Geotérmico dos Açores 1,50€

Poça da Dona Beija 4€

Gruta do Carvão 5€

 

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