Em volta das Serras D’Aire e Candeeiros: Olhos d’Àgua do Alviela, Salinas de Rio Maior e Castelo de Porto de Mós

Quando penso nas Serras D’Aire e Candeeiros a primeira imagem que me surge na mente é a visão do vale que temos ao descer o país pela A1 em direção ao sul.

 
 
Sempre que por ali passo embasbaco com a magnitude daquele lugar que, se transpusermos bem cedo, costuma ser possuidor de uma certa neblina que lhe adensa o misticismo. A seguir penso nas imensas grutas, brutais obras da natureza que, por mais que as visite, nunca deixarão de me fascinar. Penso que saberão do que estou a falar!

Porém, desta vez o meu objetivo era outro; numa pequena roadtrip de 1 dia decidi não ir tão ao interior das Serras, dando preferência a conhecer alguns locais na sua periferia.

 

Olhos de Água do Alviela

Comecei cedo – cerca das 9 horas – pela visita aos Olhos de Água do Alviela, em Alcanena.

Talvez este local seja mais conhecido pelas águas límpidas e cristalinas da sua praia fluvial, provenientes da nascente do Rio Alviela que brota ali mesmo, vindo do fundo de grutas subterrâneas. Mas levou-me ali uma outra ideia!

 

Mesmo ao lado da praia, por entre a floresta, existe um percurso linear – o PR1 ACN – que nos conduz por pontos incríveis onde a rocha calcária e a água proveniente da Ribeira dos Amiais, que há de desaguar mais tarde no Alviela, criaram grutas, cavidades e um canhão flúvio-cársico absolutamente incríveis (além das colónias de morcegos)!

 

O percurso começa em frente ao edifício da EPAL (que explora as água do Alviela desde os anos 80) e estende-se, linearmente, por cerca de 1,5 Km. Embora o caminho seja relativamente simples, aconselho que se leve calçado adequado (vi por lá pessoas a fazerem o percurso de chinelos, aproveitando a estadia na praia, mas não é o melhor…). Bastões de caminhada também podem dar uma ajuda em alguns momentos.

 

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Se se pretender compreender melhor a geografia e a geologia do local, junto da praia fluvial existe o Centro de Ciência Viva do Alviela.

Caso se pretenda pernoitar neste local para fazer outros percursos e conhecer melhor a serra, existem aqui o Parque da Campismo Rural dos Olhos de Água (à data encerrado devido à pandemia) e o Alojamento Local Bar Olhos d’Água. O Centro de Ciência Viva também oferece alojamento em regime de camarata.

Os acessos à praia e ao percurso são bastante fáceis, existindo no local um enorme parque de estacionamento e um pequeno bar para refeições ligeiras ou refrescos!

 

Salinas de Rio Maior

Terminadas a caminhada e a visita à praia ainda cedo da parte da manhã, decidi rumar até um local que há anos queria visitar e que ainda não tinha tido oportunidade: as Salinas de Rio Maior.

As salinas ficam a cerca de 30 Km dos Olhos d’Água do Alviela, seguindo a N361 em direção a Rio Maior. Quando aqui há indicações para as salinas cujo rendilhado vemos da estrada passados alguns minutos (a cerca de 3 Km de Rio Maior).

 

Devo confessar que gostei mais do local do que estava à espera! A rua das salinas é ladeada pelas casas típicas em madeira que em tempos serviram para guardar o sal, mas que hoje são pequenas lojas de comercio e restaurantes (onde aproveitei para almoçar). Estas construções em madeira – para evitar a corrosão do sal – com um sistema de chave-fechadura particular, dão ao local características singulares que apreciei bastante.

No início da rua está o posto do turismo (numa casa de madeira!) onde nos explicam tudo o que necessitamos saber para compreender a existência destas salinas tão longe do mar. É verdade, as Salinas de Rio Maior ficam a cerca de 30 Km do mar! Porém, o facto de se situarem numa região calcária resolve o enigma. Os cursos de água subterrâneos atravessam uma jazida de sal-gema (que se estima ocupe uma área da Estremadura entre Leiria e Torres Vedras) brotando depois no poço situado no centro das salinas e de onde é extraída a água para os talhos (pequenos tanques onde se dará a evaporação da água).

 

Embora grande parte deste sal seja naturalmente utilizado para fins culinários, em Portugal ou além fronteiras, serve também para um outro fim na época Natalicia! No Natal é aqui realizada um exposição de presépios construídos com o sal que, devido às suas características, permite que em determinadas condições seja modelado sem grande dificuldade.

Embora nem tudo seja já tão artesanal como fora em tempos, este é sem dúvida um local bastante interessante de conhecer e observar, pois é único em Portugal.

 

Castelo de Porto de Mós

No regresso a casa decidi fazer uma última paragem num local que, embora já tivesse visitado, não me canso de rever. Refiro-me, pois está claro, ao pequeno castelo encantado da vila de Porto de Mós!

Este castelo, que assenta sob resquícios de um posto de vigia romano e que ao longo dos séculos foi acumulando influencias arquitectónicas militares, góticas e renascentistas, desempenhou um importante papel durante o período de conquista cristã e mais tarde durante a batalha de Aljubarrota e consequente independência de Portugal.

 

As suas características arquitectónicas, de onde sobressaem as cúpulas piramidais verdes, e a sua localização a cerca de 176 metros de altitude, que o tornam visível e imponente sob a vila, dão a este castelo uma graça e características únicas que não o deixam passar despercebido.

Quando aqui, se o tempo correr lento, aconselho um pequeno passeio pelo resto da vila e a subida à Ermida de Santo António, de onde se tem uma visão plena do Castelo de Porto de Mós lá no alto.

 

No final desta pequena roadtrip voltei a casa com a certeza reforçada de que Portugal tem, em poucos quilómetros, a possibilidade de esconder maravilhas tão distintas umas das outras, mas que ainda assim são capazes de nos surpreender.

 

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