Pelo Caminho do Xisto das Aldeias de Góis

Crê-se que os territórios do xisto, onde hoje se localizam as Aldeias do Xisto, têm tido ocupação humana desde a pré-história, sendo, contudo, na Idade Média que se verifica o alargamento dessa utilização territorial. Muitas das aldeias hoje existentes deveram o seu desenvolvimento ao facto de se encontrarem em rotas comerciais estratégicas ou ao crescimento das necessidades pastoris e agrícolas. Porém, o século XX trouxe a desertificação a estes lugares; a migração das suas populações em busca de melhores condições de vida conduziu a um decréscimo no número de habitantes destas aldeias que hoje chegam a ter menos do que uma mão cheia deles.

 

As hoje 27 Aldeias do Xisto encontram-se distribuídas por 4 grupos na região centro do país: Serra da Lousã, Serra do Açor, Ferreira do Zêzere e Tejo-Ocreza. Nestas há poucos habitantes permanentes para lá dos turistas que as visitam, tornando as suas vivencias ainda mais singulares.

No Município de Góis podemos encontrar 4 destas aldeias pertencentes à rede de Aldeias do Xisto – Comareira, Aigra Nova, Aigra Velha e Pena – e que estão ligadas por uma vereda tradicional, com cerca de 9 Km, que podemos percorrer a pé. Foi exatamente isso que fiz, iniciando o trilho circular PR1-GOI na Aldeia da Comareira.

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Comareira

A aldeia da Comareira é a mais pequena das 4 aldeias e conta apenas com uma simpática habitante, o seu rebanho de cabras e ovelhas, os dois cães que nos recebem pacificamente à chegada e os 7 gatos que não nos largam em busca de comida!

A aldeia é basicamente composta pela casa e curral da pastora e a Casa de Campo da Comareira, que fora transformada em alojamento turístico e se encontra perfeitamente preservada. Foi também na Casa da Comareira que acabei a pernoitar e cujo local recomendo vivamente.

Mas, começado na Comareira, continuemos o trilho marcado até à Aldeia da Aigra Nova, a cerca de 20 minutos a pé por estrada alcatroada.

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Aigra Nova

Em Aigra Nova somos assustadoramente recebidos por mais 3 cães que vêm pouco mais tarde a revelar-se animais extraordinários! Porém, o ladrar e a corrida com que nos recebem são claramente mal interpretados à partida!

Esta aldeia é já um pouco maior do que a primeira, com bastantes casas reconstruídas e transformadas em alojamento. É também aqui que podemos encontrar a lojinha de produtos típicos e o Eco-Museu de Tradições do Xisto; porém, é tão cedo que ainda encontramos tudo fechado. Talvez passemos por aqui mais tarde…

Seguimos o trilho marcado com os 3 cães indo e brincando à nossa frente; pode ser que nos acompanhem até à saída da aldeia e depois simplesmente se deixem ficar para trás…

São pouco mais de 8 horas da manhã e subindo seguimos o trilho pela encosta da serra que, escarpada e com vegetação densa nalguns locais, nos há de levar até à Aldeia de Aigra Velha.

Quando chegamos ao topo da encosta, à estrada principal, olhamos para baixo e deslumbramo-nos com a vista; ao fundo, numa planície saída da encosta da serra, vemos a aldeia que deixámos para trás.

Os cães, esses, ainda não nos abandonaram.

 

Aigra Velha

A aldeia da Aigra Velha surge tímida uns metros mais à frente, depois do cruzamento que nos levaria de volta à Comareira ou a atalhar caminho até à Pena.

Seguimos atrás dos cães que nos parecem indicar a aldeia que, das 4, se situa no ponto de maior altitude. Ali a encontramos mais à frente, com um tanque de água à entrada, onde aproveitamos para nós refrescar (nós e os cães). A aldeia é pequena e não está tão cuidada como as anteriores, mas isso só lhe aumenta o encanto no descampado envolvente onde se encontra. Além disso é também aqui que estão visitáveis o Forno e o Alambique, mas, tal como em Aigra Nova, encontram-se fechados.

Vemos apenas uma pastora que, com o seu rebanho de cabras, nos cumprimenta e diz “Bom dia” numa aparição fugaz.

Embora ainda cedo o calor já se começa a fazer sentir e o pé torcido na aldeia anterior não está a ajudar; mas os cães já nos esperavam à reentrada do trilho e continuamos pelo caminho até à aldeia da Pena.

 

Pena

Em direcção à Pena passamos, possivelmente, pelo segundo troço mais fácil do trilho, com direito a passagem pela Ribeira da Pena e sombra quase constante, apesar da descida de inclinação acentuada logo no início.

Os cães continuam na frente, certos no caminho e sem erros de percurso, nunca deixado ninguém para trás.

Chegamos à Aldeia da Pena, a maior e possivelmente mais bem conservada das 4 aldeias, já bate a hora do almoço.

Encontramos um local que cumprimenta os cães com entusiasmo; abordamo-lo e dizemos que vêm connosco desde Aigra Nova. Responde-nos que é sempre assim quando alguém chega à aldeia para fazer o trilho! Aproveitamos e perguntamos se há por ali local para comer ou beber algo; diz-nos que não… havia um bar, que nos mostra por dentro, mas está fechado. Talvez na Aigra Nova, os cães levar-nos-ão lá, diz!

Reabastecemos a água no fontanário e seguimos novamente o trilho e os cães!

Entramos, sem saber, na pior parte do trilho. O caminho entre a Pena e a Comareira verifica-se escarpado, de inclinação bastante acentuada e sem sombra durante uma parte considerável. Estamos todos cansados e paramos quase de metro a metro até finalmente chegarmos a terreno plano antes de encontrarmos, novamente, uma subida acentuada, a última, até começarmos a descer por entre eucaliptal de volta à Comareira.

Ver de novo a Comareira parece uma miragem! Mas chegamos; e os cães, vendo-nos na casa de partida, continuam, sem hesitar, por mais 20 minutos até Aigra Nova, novamente.

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Como chegar?

A estrada de acesso à Comareira faz-se a partir da N342, na zona de Albergaria, a poucos quilómetros de Góis e da N2. A estrada é antiga, curvilínea e não muito larga, por isso recomenda-se a condução com precaução.

 

Onde ficar?

As aldeias do percurso têm bastantes alojamentos em casas de xisto que podemos reservar. No meu caso optei pela Casa de Campo da Comareira, que aconselho.

 

Onde comer?

Infelizmente nenhuma das aldeias tem restaurante ou algo semelhante onde possamos comer. Por isso, os locais mais próximos para o fazer serão a vila de Góis ou da Lousã.

 

Dicas úteis

Evitar ao máximo fazer o percurso em dias de muito calor ou em horário de maior calor;

Levar o máximo de água possível, pois as oportunidades de reabastecimento podem não ser muitas, embora existam fontanários em praticamente todas as aldeias;

Bastões de caminhada podem ser bastante úteis nalguns troços;

Não esquecer alimentos que ajudem a repor energias, pois a caminhada pode verificar-se mais morosa do que o previsto.

 

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