Sintra Romântica em 3 dias

Sempre imaginei Sintra como uma cidade saída de um conto de fadas e essa ideia manteve-se quando a visitei pela primeira vez. Com os seus imensos palácios e palacetes dispersos pela serra rica em vegetação e onde nos cruzamos com charretes puxadas por cavalos, Sintra transporta-nos para um misticismo romântico do qual não queremos sair.

 

Esta foi a minha segunda vez em Sintra; da primeira pouco consegui visitar, pois estive por lá apenas algumas horas. Desta feita levava como objetivo visitar locais que nunca tinha visto além de na televisão, percorrer os caminhos da serra e embrenhar-me no ambiente da vila, tudo isto em apenas 3 dias.

Devo confessar que num primeiro momento não foi fácil sentir-me em casa. A altivez da vila pareceu estranha a esta rapariga de terras mais a norte, mas nada a que não nos adaptemos com relativa rapidez! Além disso, este “primeiro estranha-se, depois entranha-se” é completamente suplantado quando começamos a explorar e a descobrir locais de uma magia única.

Outrora local de eleição da aristocracia portuguesa e de viajantes estrangeiros cativados pelo seu ambiente misterioso e exótico, Sintra tornou-se num dos locais mais românticos de Portugal, onde não faltam recantos que merecem ser visitados e que nos impressionam pela sua exuberância. Visitei alguns, tendo falhado muitos outros, e sobre os quais vos contarei tudo juntamente com algumas dicas.

 

Primeiro Dia

O primeiro dia da viagem é, em parte, isso mesmo: a viagem! Como viajei de comboio, entre partir para Sintra e chegar lá passaram-se algumas horas; o final da primeira etapa da viagem foi em Lisboa, onde apanhei o comboio urbano até Sintra. Só entre Lisboa e Sintra passamos por uma viagem de cerca de 45 minutos que parecem intermináveis, tal a vontade que levamos de chegar rapidamente à vila e começar a conhecê-la!

Já em Sintra, por volta da hora de almoço, é necessário rumar da estação até ao hotel, fazer os procedimentos habituais de check-in e partir depois em busca de uma refeição; esta a mais difícil, pois ainda não conhecemos praticamente nada na Vila. Devo confessar que o sitio escolhido para almoçar nem era mau ao nível do sabor do meu bife de novilho, mas o atendimento deixou muito a desejar e, por esse motivo, não lhe vou fazer publicidade!

Com toda esta azáfama da chegada a Sintra já são praticamente 15h, uma boa altura para começar a explorar os locais visitáveis da vila e, por isso, já que nos encontramos pelo centro histórico, uma boa altura para visitar o Palácio Nacional de Sintra.

 

Palácio Nacional de Sintra

O Palácio Nacional de Sintra tem uma história milenar, iniciada aquando do domínio muçulmano na Península Ibérica e cuja evolução estrutural foi acontecendo ao longo dos séculos, muito graças aos acrescentos realizados pelos seus proprietários; não é possível, no entanto, ficar indiferente à sua influência mourisca, bastante visível nos azulejos de padrões geométricos que revestem algumas das paredes do palácio.

Neste antigo Paço português, composto por diversas salas cujos nomes remetem para elementos decorativos dos seus tectos e paredes, é impossível não se ficar fascinado pela Sala dos Brasões, com as paredes completamente revestidas em azulejo e onde, no tecto, se encontram os brasões das 72 famílias nobres mais influentes da época; pela Capela Palatina fundada por D. Dinis, coberta por frescos com motivos de pombas que transportam ramos de oliveira no bico; ou ainda pelas altas chaminés da cozinha, tão impactantes no interior como no exterior do palácio.

Se quiserem visitar e observar cada pormenor que vão encontrando ao longo da visita, preparem-se para cerca 1 hora de fascínio!

 

Depois de visitado o primeiro palácio de Sintra, e uma vez que ainda faltam algumas horas até ao jantar e estamos numa boa hora para um lanche, nada como subir a rua quase em frente ao Palácio Nacional de Sintra, a Rua das Padarias, e descobrir, por trás dos azulejos amarelos e letras em ferro da fachada, a Casa Piriquita. O preceito é simples: provar uma Queijada ou um Travesseiro de Sintra; ou quiçá os dois, por que não! Os amantes de canela e de amêndoa certamente que não se irão arrepender! Menhami!

 

Após o lanche rico em açúcar, e porque se ficam a trocar dois ou três dedos de conversa enquanto sentados dentro da Casa Piriquita e o tempo vai passando rapidamente, o melhor é sair e dar um passeio de reconhecimento pelas ruas e ruelas do centro histórico até chegar a hora de jantar. Essa hora, em Sintra e em Outubro, tem que ser antecipada para cerca das 19h, pois é por essa hora que praticamente todos os cafés, restaurantes e locais de refeição fecham – já estava a ver-me a ter que passar o jantar com o pacote de bolachas que levava de casa!

No entanto, lá encontrámos a Tasca Saloia, um espaço com uma decoração bastante catita, preços acessíveis e mesmo no centro da vila, junto ao Palácio Nacional de Sintra, e onde provámos uns maravilhosos ovos mexidos com farinheira de comer e chorar por mais!

 

O primeiro dia acabou por aqui, não só pelo cansaço acumulado da viagem, mas também porque já não era possível visitar mais nada na vila!

 

Segundo Dia

O segundo dia é o dia totalmente dedicado a Sintra, sem qualquer compromisso de tempo. Levantar cedo para aproveitar ao máximo, mesmo sabendo que a maioria dos locais apenas abre às 9h ou 9h30, tomar o pequeno-almoço e zarpar à descoberta da Serra de Sintra.

Para este dia reservei a visita ao Parque e Palácio da Pena, o local que mais tinha curiosidade em conhecer, e ao Castelo dos Mouros – preparem-se para caminhar!

Chegar a estes locais é fácil, basta apanhar o autocarro 343 numa das paragens do centro da vila. Este autocarro faz o chamado Circuito da Pena e, além do centro da vila, passa pela Estação Ferroviária, pelo Castelo dos Mouros e pelo Parque e Palácio da Pena, tornando todos estes locais de bastante fácil acesso para os turistas (o bilhete compra-se a bordo).

No entanto, também é possível fazer o percurso pedestre desde o centro da vila, a partir do jardim da Vila Sassetti, até ao Castelo dos Mouros e daí até ao Parque da Pena. Pelo caminho passarão por um dos locais mais emblemáticos em Portugal para os amantes de escalada, o Penedo da Amizade; fica a dica!

Como o objetivo era chegar ao Palácio da Pena o mais rapidamente possível, optei pelo transporte com rodas que me levou ao local em cerca de 15 minutos: o autocarro 343!

 

Parque e Palácio da Pena

O Parque da Pena, onde se localiza o Palácio da Pena, é um projecto paisagístico composto por 85 hectares de arvoredo plantado na Serra de Sintra, naturalmente despida de qualquer vegetação, e que é hoje parte integrante da classificação de Paisagem Cultural – Património Mundial atribuída à Serra de Sintra pela UNESCO, em 1995.

A visita ao Parque da Pena é possível ser feita através de um percurso pedestre que nos conduz entre vários pontos de interesse, sendo o primeiro deles o maravilhoso, romântico e exuberantemente colorido Palácio da Pena criado pelo rei D. Fernando II, o Rei-artista (1819-1885).

É impossível não ficarmos fascinados pelas cores, recortes, pormenores do interior e figuras do Palácio, como é o caso do Tritão que nos recebe sobre um dos pórticos.

Visitei-o num dia tão concorrido que toda a visita ao interior do palácio foi feita em fila indiana! A visita ao palácio – interior e exterior – pode demorar, sem exageros, um pouco mais de 2 horas.

 

Depois de sair do palácio há todo um parque que nos aguarda na expectativa de ser totalmente visitado. Aqui devo confessar que, como já estava em cima da hora de almoço, acelerei a visita e não percorri todos os trilhos possíveis. O objetivo era o Vale dos Lagos, onde existe uma pequeníssima cafetaria que nos permite comer uma baguete com queijo, beber água, descansar um pouco na esplanada e seguir viagem até ao Castelo dos Mouros, cuja entrada fica um pouco mais acima na estrada!

 

Castelo dos Mouros

O Castelo dos Mouros, assim chamado por ter sido construído no século X durante a ocupação muçulmana da Península Ibérica, é um local com uma vista única para o Oceano Atlântico, sendo mesmo possível, com tempo limpo, observar até à zona de Peniche – impressionante, não é?

Subir a muralha do castelo é coisa para colocar as pernas mais resistentes a abanar; a vista lá de cima é impressionante, mas a altura também! No entanto, para se chegar até aqui é necessário percorrer um pequeno percurso pedestre ao longo do qual se ficam a conhecer a Igreja de S. Pedro de Canafrim (século XII), a Necrópole Medieval e a Cisterna, edificada a partir do aproveitamento de uma construção do século XII.

Vale imenso a pena a visita, quando mais não seja pela vista!

 

Findo o passeio pelo Castelos dos Mouros é hora de voltar até ao centro da vila e preparar a hora do jantar que, já sabemos, tem que ser quase à hora do lanche dado o horário de encerramento das lojas!

Para jantar escolhi, então, o Restaurante Dona Maria, possuidor de uma esplanada com excelente vista para o Palácio Nacional de Sintra, além de salas de jantar, no interior, com um ambiente absolutamente romântico e umas tostas maravilhosas!

 

Terceiro Dia

O terceiro e último dia deixa-me a pensar que Sintra merece que gastemos mais tempo com ela. São imensos os locais que ainda estão por visitar e tão pouco o tempo que resta para o fazer. Depois dos procedimentos habituais de check-out no hotel e de tomar o pequeno-almoço para energizar o dia, optamos pela Quinta da Regaleira – o único local que já conhecia.

 

Quinta da Regaleira

Este maravilhoso jardim, mandado construir pelo Dr. António Augusto Carvalho Monteiro entre os anos 1904 e 1910, é facilmente alcançado a pé desde o centro da vila. É possivelmente um dos locais mais místicos e labirínticos da Serra de Sintra.

Repleto de grutas artificiais que servem de ligação a poços com escadas em caracol e construções onde predominam os estilos renascentista e neo-manuelino (Capela e Palácio), este jardim foi pretensiosamente construído como alegoria do microcosmos.

É sem sombra de dúvida um local a não perder, mas que nos permite perdermo-nos durante uma manhã inteira!

 

Com muita pena, mas depois da Quinta da Regaleira é hora de voltar à Estação Ferroviária de Sintra, com os seus lindíssimos painéis de azulejos, e rumar na viagem de volta a casa, mesmo com tanto que ficou por ver. Snif, snif!

Ainda assim, tive tempo para ser interpelada no meu caminho até à estação por um turista inglês que, interrompendo a sua refeição na esplanada de um qualquer restaurante, desatou a correr atrás de mim… Na verdade só me queria perguntar informações sobre um estabilizador para o telemóvel que levava na mão, mas por momentos cheguei a pensar que me ia fazer uma placagem! Foi um momento, como direi, funny-creepy?

 

De qualquer das formas o caminho de regresso a casa foi feito com sucesso e aqui estou eu a falar-vos sobre os meus 3 dias em Sintra. Deveria ter ficado mais tempo? Sim, deveria. Mas, Sintra, don’t worry! I will be back! 🤭

 

 


Quanto?

Palácio Nacional de Sintra 10€

Parque e Palácio da Pena 14€

Castelo dos Mouros 8€

Quinta da Regaleira 6€

Circuito da Pena em autocarro (ida e volta) 6,90€

Comboio Urbano (Lisboa – Sintra – Lisboa) 5€

 

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